Ainda no calor de ter deixado, há poucas horas, a sessão do filme, digo: Harry Potter chega ao sexto ano de Hogwarts melhor do que nunca.
Como bom fã da série que sou, fico imensamente feliz em ver o caminho que ela seguiu no cinema. Apesar de, assim como em todos os outros filmes, a história de O Enigma do Príncipe “sofrer” com a transposição para as telas, todos os sacrifícios feitos no material original são absolutamente pertinentes e não fazem falta no espetáculo, de som e imagem, proporcionado pelo longa (salvo uma única passagem, que citarei adiante).
Se David Yates já provou ser talentoso ao deixar o filme de A Ordem da Fênix superior ao – longo e chato – livro, aqui, o diretor não apenas reforça seu dom em comandar atores, como também nos brinda com um filme maduro e consistente, graças ao seu domínio em usufruir, da melhor forma, dos recursos que só o cinema pode oferecer.
A produção é tão bem realizada que parece fruto de magia: a belíssima fotografia (dirigida por Bruno Delbonnel, que também fotografou Amélie Poulin) deixa o clima mais sombrio sem abrir mão de uma interessante paleta de cores (o branco ofuscante da neve no retorno de Hogsmead, o reluzente amarelo da paisagem por onde corta o Expresso de Hogwarts, o verde-esfumaçado das lembranças da Penseira etc); bem como a trilha sonora que pontua perfeitamente cada cena, de maneira bastante expressiva e sensível.
E o que dizer dos efeitos especiais, que chegam ao ápice da série neste filme?! O Quadribol nunca esteve tão real e eletrizante, o turbilhão de fumaça em que se transformam os Comensais da Morte é incrível e a cena da Caverna… uau! Mesmo assim, não vá esperando grandes sequências de ação. Elas existem, mas são poucas e rápidas (sem contar a Caverna, o destaque fica sendo o ataque à Toca, momento em que o diretor abusou dos cortes rápidos e de uma câmera inquieta para criar um ótimo clima de tensão).
Agora, se falta ação, sobra falação e quem leu o livro, sabe: O Enigma do Príncipe prepara o terreno para o episódio final da saga e, por isso, é repleto de explicações e teorias a respeito do Lord Voldemort. Tudo, claro, permeado por um delicioso clima de romance, que nos faz querer voltar à adolescência (fator muito mais forte no filme do que no livro).
E do romance, chego às atuações, já que todo o elenco – dos protagonistas aos coadjuvantes – entrega performances notáveis. Eu já esperava que Jim Broadbent faria um brilhante Horácio Slughorn mas, ainda assim, acabei surpreendido. Outro personagem que me pegou de surpresa foi Lilá Brown, que no livro é insuportável e aqui, graças ao bom trabalho da jovem atriz Jessie Cave, ficou inocentemente engraçada. Helena Bonham Carter e Alan Rickman estão ótimos como sempre, como Belatriz e Snape, e o trio protagonista, que tem evoluído a cada filme, volta mais preparado e maduro, com atuações dignas de reconhecimento. A mais fraquinha, em minha opinião, é Bonnie Wright, que faz a Gina. Ah, e Malfoy está excelente também.
Bom, não vou entrar em detalhes sobre o que da história entrou e o que ficou de fora no filme. Como em toda adaptação cinematográfica, cortes são necessários. Mas digo que saí bastante satisfeito com a obra como um todo, sentindo falta, apenas, de uma importante explicação que Dumbledore deveria dar a Harry (não vou falar pra não estragar a surpresa de quem não leu).
Enfim, Harry Potter e o Enigma do Príncipe torna-se, para mim, o melhor filme da série até aqui. Um trabalho impecável de direção, que deixou esse universo tão fantasioso em algo mais real e consistente. Bato palmas também ao roteiro, que tirou, com inteligência, todo o excesso de gordura saturada do texto de J.K. Rowling, deixando somente o necessário, o que torna a experiência cinematográfica da obra não só possível, como muito, muito prazerosa.
Nota. 9,0
p.s: peço desculpas se o texto saiu meio confuso e com ideias atropeladas, mas quis registrar e passar para vocês o entusiasmo do momento. =D