Resenha: Dúvida

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Não sei se vou me lembrar desse filme daqui a alguns anos. Sim, ele é bom. Mas não me marcou, em nenhum aspecto. 

Adaptação de uma peça de autoria do próprio diretor, John Patrick Shanley, o trunfo de Dúvida está em seu elenco. Das cinco indicações que o filme recebeu ao Oscar®, 4 são para os atores e 1 para o roteiro. 

Construído essencialmente de quatro ou cinco grandes cenas, a produção sofre pela insegurança de um diretor sem muita personalidade, mas ganha por seus potentes diálogos, capazes de prender nossa atenção em um filme nada agitado. 

Sobre o elenco, ninguém poderia interpretar a severa Irmã Beauvier melhor do que Meryl Streep. Não por ser uma excepcional atriz, mas por ter cara de freira mal amada mesmo. Quase um patrimônio histórico do cinema, Meryl tem um olhar penetrante, daqueles que adoram ler sua alma sem pedir licença. No filme, além de rezar, ela adora ouvir canções do Padre Fábio de Melo no iPod rádio portátil confiscado de um aluno. Kate Winslet deve oferecer à atriz sua 13ª derrota na cerimônia de domingo. Fica pra próxima. 

Philip Seymour Hoffman encarna o padre acusado de pedofilia pela freira malvada aí de cima. Hoffman dosa muito bem a seriedade com a simpatia de um sujeito que as crianças adoram adorar. As batalhas travadas com a Irmã Beauvier revelam um ator completo, que ainda deve arrancar muitos elogios da crítica (pô, ele merece meu respeito só por ter feito Twister). 

Amy Adams já está sendo considerada a grande zebra do Oscar® desse ano, como Melhor Atriz Coadjuvante. Eu duvido. Ela veste bem o hábito de freira (a boazinha, não a maligna), mas sempre que abria a boca eu já ouvia uma canção saindo lá do fundo, graças à sua princesa de Encantada. Para mim, sua interpretação aqui é igual a do filme da Disney. Mesmo tom de voz, mesmas expressões. Não que seja ruim, apenas não merece a estatueta. 

E, se em algum momento eu achei Dúvida du car**lho, foi quando Viola Davis estava em cena. Esta sim, merece ser premiada. Dona do melhor diálogo do roteiro, a atriz ainda pouco conhecida, ofusca Meryl Streep com uma atuação sincera, quase tímida – mas de arrepiar os cabelos da nuca. E pensar que a Oprha fez um teste para o papel, mas foi recusada. Chupa! 

Concluindo, Dúvida está no gênero de “filme-que-não-seria-nada-se-tivesse-outro-elenco”. O quarteto brilha e engrandece o texto e a direção de John Patrick Shanley. Vale conferir? Vale.

Nem que seja para tirar a dúvida. 

Nota: 7,0

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2 comentários

  1. Aaaah bom.., não via a hora de chegar na parte que comentaria sobre a atuação de Viola. Se ela não levar a estatueta, é marmelada. Mas tem um aspecto da sua crítica que preciso descordar: a parte da produção sofrer por insegurança. Vejo de outra maneira, teve uma simplicidade para realmente contrastar com a complexidade da atuação dos personagens, porque eles que realmente levam o filme. Hehehe, adoro debater. Também acho que sua nota foi muito baixa! ;p

    Beijos

    1. Ótimo comentário Di. Assim que eu gosto. rs

      Em minha opinião, como diretor, John Patrick Shanley é um excelente roteirista. Seu texto tem uma força enorme e exigia ainda mais simplicidade da direção (sim, ainda mais). Os takes diagonais que ele faz, por exemplo, destoam da linearidade e do conservadorismo do resto da produção. E isso, pra mim, reflete a não confiança de um diretor em seu trabalho (ou seja, insegurança). Eu queria ver em “Dúvida”, uma câmera ainda mais silenciosa, passiva, como se assistíssemos à peça de teatro original.

      Apesar disso, é um bom filme. ;-)

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