Resenha: Watchmen – O Filme

Watchmen

Antes de tudo, deixo claro que nunca li a graphic novel e fui ao cinema com olhares de um espectador comum e não de um fã ou admirador da obra adaptada. 

Dito isso, Watchmen – O Filme me deu uma rasteira e me fez cair feio no chão, tirando minha respiração. Apesar de todo o burburinho em torno da produção, estava meio cético; duvidava que a coisa toda pudesse funcionar. Mas funcionou, e no melhor sentido da palavra. 

Longo, com diálogos pesados e muitos, muitos detalhes, ele não é um filme fácil. Tanto que, na sala onde estava, perdi a conta de quantas pessoas saíram no meio da projeção (mesmo!). Afinal, quem comprou o ingresso para ver um filme de ação bobinho com super-heróis, caiu do cavalo. 

O universo escrito por Alan Moore e ilustrado por Dave Gibbons é muito rico e de uma densidade sem igual. E, talvez por isso, ao escrever este texto, me pergunto: será que gostei de Watchmen por suas qualidades cinematográficas ou graças ao seu material fonte, que não sei ao certo o quanto teve de ser sacrificado?

É uma questão difícil, que apenas será solucionada quando eu colocar minhas mãos na edição definitiva da graphic novel. =) 

Enquanto isso, ter visto o novo trabalho do diretor Zack Snyder nas telas foi uma experiência bastante nova para mim. A começar pela espetacular – e já clássica – sequência de abertura ao som de Bob Dylan. Êxtase puro. Aliás, visual e trilha sonora, apesar de cafonas, trabalham juntos de forma impecável. O estilo Snyder de filmar, introduzido em 300, marca forte presença nas cenas de ação (slow-acelera, slow-acelera), que considerei excessivamente violentas. 

Rorschach (Jackie Earle Haley) e Dr. Manhattan (Billy Crudup) são de longe os personagens mais interessantes e, por isso, possuem as melhores sequências. Em muitas passagens de Rorschach, no entanto, seu tom narrativo com clima noir me fez lembrar Sin City, outra fiel adaptação. Já o trecho que conta a origem do Dr. Manhattan é brilhante por completo – as partes íntimas à mostra do personagem incomodaram muita gente na sessão (o cara é um jegue). 

Classificado infilmável, Watchmem me surpreendeu como um bom filme incomum, que faz pensar e entretém. Uma qualidade rara no cinemão hollywoodiano.

E que venha a versão estendida.

Nota: 8,5

watchmen-lego

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8 comentários

  1. MEU, VOCÊ JÁ SABE DISSO MAS EU PRECISO COMPARTILHAR COM OUTRAS PESSOAS: EU AMEEEEEEEI ESSE FILME! Eu conhecia por cima a graphic novel e fui no cinema sem nem saber qual vertente o filme seguia…. Saí simplesmente pasma com a ousadia em todos os aspectos! Ele conseguiu ser a primeira adaptação de super heróis totalmente fiel a história original sem perder a linguagem cinematográfica! Tudo é muito característico dos quadrinhos: figurino, diálogo, ação exagerada….. mas tudo organizado de uma forma muito inteligente e de maneira muito natural… é dificil explicar pois se fosse o Wolverine de collant amarelo no cinema eu acharia ridículo… Na minha opinião ele elevou Watchman a categoria de Arte! Único ponto fraco na minha opinião é algum momento dos efeitos especiais que pegaram pesado na computação gráfica….. nota:9,5

    1. Uau. Bela resenha.

      Foi muito difícil escrever sobre um filme com tantas camadas.
      Mas concordo com você, Ana (menos na nota, mantenho meu 8,5. rs).

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