Resenha: Gran Torino

Gran TorinoClint Eastwood está velho. Muito velho. Mas seu pescoço enrugado feito o de um galo, não o impede de ser um dos melhores – e mais produtivos – cineastas em atividade. Falando em números, nos últimos 5 anos ele lançou 5 filmes. Só em 2008 foram dois: A Troca, com Angelina Jolie e este Gran Torino, que marca sua 23ª parceria dele com ele mesmo, frente e trás das câmeras. Não é pra qualquer um rapazes e rapazas.

E, assim como seu criador, Gran Torino é todo à moda antiga: do seu personagem, à estrutura narrativa e à história em si. Nela, acompanhamos o pacato dia-a-dia de Walt Kowalski, um veterano da Guerra do Coreia, viúvo, racista e com princípios tão sólidos quanto à lataria do seu reluzente Ford Gran Torino 1972. Tudo vai bem até que seus antigos vizinhos são substituídos por imigrantes asiáticos.

O Sr. Kowalski, como gosta de ser chamado, nunca se deu bem com os filhos e tem pavor da igreja. Tantos preconceitos e tamanha inflexibilidade com outras raças e gerações, passam a ser questionados quando tem de se relacionar com Thao, vizinho que tentou roubar seu carro e está ameaçado pela gangue do primo. Em tarefas diárias, os dois estabelecem uma sincera amizade, com direito a aulas de como falar como um homem.

Antes de entrar no cinema, não sabia que me divertira tanto com o filme. Gran Torino conseguiu arrancar risos da platéia por quase toda a projeção. Tudo graças à intolerância de Walt e seus conflitos em se adaptar com os tempos modernos. Aliás, é impressionante como todos os personagens evoluem ao longo da história, e isso é uma forte qualidade de um filme, repito, feito à moda antiga.

O maior sucesso de bilheteria da carreira de Clint Eastwood é um bem-vindo respiro à sufocante parafernália hollywoodiana, de tramas complexas e reviravoltas desnecessárias. Um filme coxinha, que não vai mudar sua vida, mas encará-lo na sala escura também não é nenhuma tortura.

Nota: 8,5

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4 comentários

  1. Ótima resenha, mas esse filme não me convenceu. Não achei ruim, mas meio desnecessário… Não consegui ver nada que me faça guardar na memória…

    Mas enfim… to vendo que sou meio excessão! Quase todo mundo adorou o filme… rs

    1. Realmente, não é um filme para guardar na memória. Longe disso.

      Não gosto de filmes muito lineares, conservadores demais. Mas o desenrolar das relações entre os personagens em “Gran Torino” é bem interessante. No início, é fácil não simpatizar com Walt. Mas depois ele nos conquista. E isso é bacana, apesar de previsível.

      É um “novelão mexicano”, mas tem suas qualidades e reflete bem o conservadorismo de Clint Eastwood como diretor. E isso é algo que o cinema está perdendo e sentiremos falta no futuro.

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