Resenha: A Órfã

A Órfã_PosterA ausência de expectativa me fez curtir A Órfã. O filme do diretor catalão Jaume Collet-Serra (do terrível A Casa de Cerra) é deliciosamente ruim e, acredite, tem fatores que podem transformá-lo em um desses clássicos de locadora.

Duvida? Então, comecemos pela aparentemente previsível sinopse: um trágico aborto deixa Kate (Vera Farmiga) e John (o bom Peter Sarsgaard) arrasados, abalando seu casamento (leia: falta de sexo). Fragilizada, Kate passa a ser atormentada por pesadelos e assombrada por demônios do passado. Na tentativa de restabelecer a normalidade em sua vida (e voltar a transar, safadinhos), o casal decide adotar uma linda e angelical criança. Ao visitarem um orfanato, John e Kate sentem-se estranhamente cativados por uma garota chamada Esther (Isabelle Fuhrman). Uma fofa.

É claro que a mocinha não é flor que se cheire e botará o terror na comunidade de pessoas que moram numa puta casa isolada, no meio de um frio do caray e perfeita para um filme de terror. Uma produção assim, já entra em campo ganhando, não?!

Para mostrar que estudou cinema direitinho, o diretor usa todos os recursos do gênero para não nos decepcionar: logo na sequência inicial, por exemplo, temos o combo “gritos ensurdecedores, efeitos sonoros de arrepiar a nuca e, claro, saaangue”. Fatality! You win.

Não só isso, ao longo de toda a projeção, o cineasta brinca com sustos falsos, que vão de barulhos de relâmpagos ao sempre eficiente reflexo no espelho (personagem sozinha no banheiro olha no espelho, abaixa a cabeça, levanta, olha de novo no espelho e BAAAMM… fudeu, tem alguém atrás dela). O diretor tenta fazer a gente pular da cadeira até com gargalhadas de meninas passando em um corredor. Gênio. Mas mal sabe ele, que este, é o principal problema de A Órfã, já que o filme é baseado em sustos fáceis e não em tensão psicológica.

Quando tenta fazer algo mais tenso, como a sequência do playground, que representa o ponto de virada no caráter da personagem, Jaume Collet-Serra aumenta a trilha e abusa dos planos-detalhe (correntes girando, balanço, pés da garota). É cafona e manjado, mas funciona.

A atuação de Isabelle Fuhrman, que faz a boazinha Esther, é realmente impressionante. A jovem atriz, de apenas 12 anos, aprendeu a falar com sotaque russo e vai, de anjo a demônio, com uma facilidade que faz Jack Nicholson se morder de inveja. Ainda assim, ela não entrega a melhor performance do filme, que fica por conta de Max, a filha surda e muda do casal. Sim, mesmo sem nenhuma fala, ela consegue atuar melhor do que todo o elenco adulto.

Por essas razões A Órfã pode, sim, virar um clássico: tem tudo o que um filme do gênero precisa, só que melhor produzido e acredite, mais inteligente. Apesar dos clichês e de recorrer a sustos fáceis ao invés da tensão, a personagem título é interessante e seu segredo é mais surpreendente do que eu esperava.

Um bom filme ruim, afinal.

Nota: 6,8 (quase 7)

A Órfã estreia na próxima sexta-feira, 04 de setembro.

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32 comentários

    1. Que bom, Achilles. Obrigado!
      Veja, sim. É trash e divertido.

      Luana, são milhares os “bons filmes ruins” espalhados por aí. Na maioria dos casos, um “bom filme ruim” pode ser identificado quando:
      1- Tem uma péssima história mas um bom diretor, que consegue salvar alguma coisa;

      2- Tem um péssimo diretor, mas é tão bem produzido e/ou atuado que merece nossa atenção (como “A Órfã”, por exemplo);

      3- Tem uma história terrível e um diretor pior ainda e, que, de tão ruim, torna-se bom… ou melhor, torna-se um bom filme ruim.

      Ficou mais claro agora?! rs

      Di, fiquei feliz que curtiu. E, mais uma vez, obrigado pela frequente visita e pelos comentários sempre tão gentis.

      Bjos e abs minha gente!

  1. hahahah Ri muito com o “bom filme ruim”!

    Sabe, quando assisto a um filme no qual não tenho esperanças de ser bom, eles me surpreendem! (só não me surpreendi com o “Mamãe é de morte” que um trash muito, mas muito ruim!)

    Beijooos! Ótima resenha!

    1. Leo, não lembro se você gosta de musicais (acho que não, certo?), pq “West Side Story” é o pai de todos os musicais. O filme é cheio de dança e música (claro). Enfim, gostei demais. A fotografia e a direção de arte são impressionantes. Um clássico, definitivamente.

      Abraço!

  2. Achei que a direção não inovou. O filme demora pra acontecer, e os sustos são previsíveis – espelhos, sombras, etc. O roteiro foi mais criativo, apesar do tema “menina peste chega, desgraças acontecem e testemunha desacreditada vê tudo”. Mas tem o que todos adoram: final surpresa! E também é ótimo sempre ver criancinhas más…

    1. Exatamente Lucienne. Concordo com tudo o que falou.

      Mas, às vezes, acaba sendo divertido ver esses filmes previsíveis e com personagens cativantes.
      Aposto que você ficou torcendo pra Esther morrer! Aposto!

      hehehe

  3. O comentário é pseudoerudito… bobagem pura!
    O filme agrada sim e tem um fim surpreendente…
    Recomendo aos fãs do estilo… dos clichês, difícil fugir.

  4. amei acabei de ver,gostei prq é um suspense não suspense,
    quando vc pensa q uma coisa vai acontecer não acontece e
    a historia chama muita atenção.Interesante

  5. O filme A órfã, é bom mesmo. Os que não assistiram aluguem ou comprem, adorei a Sinopse.
    No elenco, a atriz da menina (Esther) é uma ótima protagonista, eu já vi ela dando uma entrevista
    num canal Internacional.
    OBS: Os que ñao assistiram A Órfã, assistam
    Pois é de ferrar o pé de manga.
    Beijos :B

  6. minha amiga me falo, quer dise nos etudamos na mesma escola mas não na mesma
    sala,deve ser mesmo muito asustado,ela asistio o filme para o trabalho da escola,ela
    diz que passo cinco dias sem comer nada por que quado olhva para comida so via
    sangue

  7. eu fikei com muito medo na orfa mano no comeso da muito medo dela mais depóis da vontade de mata ela tipo poque ela tenta mata uma criaca poriso que da vontade

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