Resenha: Amantes

Amantes_PosterEm um ano cheio de superproduções, efeitos especiais incríveis, muito 3D e comédias boca-suja, é delicioso ser surpreendido por um drama como Amantes (Two Lovers, 2008). Um filme simples, despretensioso e excepcional.

Dirigido de maneira muito elegante por James Gray (do bom Os Donos da Noite), Amantes mostra as indecisões de Leonard (Joaquin Phoenix, excepcional), um solteiro chegando na meia-idade, que foi deixado pela noiva e, por isso, ainda vive com os pais. Após uma tentativa frustrada de suicídio, duas mulheres, diferentes entre si, surgem em sua vida: Sandra (Vinessa Shaw) é quase perfeita, o par ideal para ele manter seu estilinho de vida até o fim de seus dias; enquanto Michelle (Gwyneth Paltrow), sua nova vizinha, é extrovertida e misteriosa, argumento perfeito para uma fuga – sua janela para o mundo.

Assistimos o desenrolar dessa história através dos olhos de uma câmera passiva, quase ausente (exceto nas cenas em que vemos Leonard ansioso em seu quarto, quando ela perde sua estabilidade e torna-se inquieta, como o personagem) e ao som de uma trilha sonora delicada, que entende com precisão seu papel na trama.

A direção de arte é outro trunfo de Amantes. Basta olhar o antiquado apartamento onde Leonard vive: observe nos papéis de parede que compõem a sala, nos móveis rústicos, nos porta-retratos, no aquário em seu quarto, na estante cheia de livros. Afinal, estamos diante de uma família conservadora, educada, que tem à frente uma mãe superprotetora e econômica nas palavras – daquelas em que só um olhar basta.

E que belo trabalho faz a atriz Isabella Rossellini. Quando a vemos em cena ao lado de Joaquin Phoenix, somos tomados por sentimentos diversos – pena, raiva, compaixão – e percebemos o quão poderoso é esse filme.  Vale lembrar que Gwyneth Paltrow entrega a melhor interpretação de sua carreira. Culpa do Sr. James Gray, talentoso diretor que abusa do poder das sutilezas (as sequências no terraço dizem muito mais do que aparentam, bem como a cena do restaurante, em que sofremos junto com Leonard ao vermos uma indelicada mão masculina acariciar o rosto de Michelle).

Tudo isso, aliado à escura fotografia (tão nublada quanto o inverno nova-iorquino) faz de Amantes um filme muito verdadeiro e natural. Uma pequena obra-prima que merece ser vista, revista e muito apreciada.

Nota: 9,5

10 comentários

  1. Bela resenha! Me deixou curioso para assistir ao filme, que até então teria me passado despercebido. Vou tentar ver no cinema.

    PS: Me recuso a ler sua resenha do Up antes de escrever a minha! =P

    Sim, relaxei com o blog esses dias… kkk

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