Resenha: Besouro

Besouro_Poster10 milhões de reais. Esse foi o orçamento aproximado de Besouro, filme nacional que ganhou título de superprodução. Pronto, é agora que a gente se abraça e chora por saber que essa puta grana foi desperdiçada em um filme ruim.

Dirigido por João Daniel Tikhomiroff, que tem no currículo bons filmes publicitários, Besouro leva para o cinema a história de Manoel Henrique Pereira, filho de ex-escravos que virou mito ao enfrentar coronéis e uns caras malvados, usando golpes de capoeira de maneira extraordinária.

Pô, a história do cara é legal pra caramba. Por isso, é de se lamentar que ela passe despercebida diante dos nossos olhos, graças a um roteiro fraquíssimo, que usa o lettering como muleta para contextualizar uma história que nem os diálogos, nem o desenvolvimento dos personagens deram conta de passar. Aliás, os diálogos são vergonhosos de tão ruins e algumas sequências excessivamente arrastadas; saída fácil, mas ineficaz, de um diretor que tinha um roteiro pobre em mãos.

Mas beleza, todo mundo que for ao cinema para ver Besouro, quer mesmo é se divertir com as cenas de ação, os combates incríveis e ver o capoeirista voar, literalmente. E, sem dúvidas, este é mesmo o maior (único?) trunfo da produção: as lutas convencem (principalmente a que acontece na feira livre) e os planos de voo de Manoel/Besouro são bem realizados e bonitos de se ver em tela grande. A edição de som também é uma qualidade a se citar, já que o filme é bem barulhento.

Mas João Daniel infelizmente não é Ang Lee (que dirigiu a referência óbvia, O Tigre e o Dragão). O diretor brazuca está longe (muito longe, inclusive) de ter a sensibilidade do cineasta taiwanês ao comandar seus atores: mais uma vez a agulha da vergonha alheia me deu umas espetadas, graças à inerte atuação do elenco (salvo Irandhir Santos, que faz o preconceituoso coronel Noca de Antônia). Não é justo, no entanto, condenar os atores, que fazem visível esforço em cena. É fato que João Daniel deveria ter se preocupado menos com as coreografias e mais com a direção de seu elenco.

É triste escrever negativamente sobre Besouro. Eu estava no time dos que tinham esperanças com a produção. Infelizmente não rolou. Agora é torcer para que outros tenham a admirável ousadia de João Daniel Tikhomiroff; mas que façam isso escolhendo um roteiro melhor trabalhado e dando a devida atenção a seus atores.

Nota: 4,0

Besouro estreia nesta sexta-feira, dia 30.

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7 comentários

  1. Não concordo com esta resenha! Este filme é muito bom… E nem esperava que nao fosse tanto. A mixer sempre fez um bom trabalho e dessa vez caprichou assim como em descolados (MTV)… Espero que outros tenham a sensibilidade de perceber que este filme pode ser o começo de outras boas produções brasileiras, só que com temas recentes, sem ser como sempre a violência do rio de janeiro, mas sim com efeitos em histórias mais leves, dando opção às produções americanas de sempre.

    1. Respeito seu ponto de vista.
      Mas sorry, se esse filme servir de inspiração para produções nacionais vindouras, estamos perdidos.

      E concordo que o nosso cinema precisa respirar outros ares que não o da violência. Mas temos filmes belíssimos que não tratam do tema, como “Lavoura Arcaica”, “Cinema, Aspirinas e Urubus”, “A Casa de Alice”, “Feliz Natal”, “Santiago”, os filmes do Jorge Furtado, os documentários do Coutinho… e tantos outros que já resenhei no blog e que são excelentes alternativas às produções americanas.

      E não é preciso muita sensibilidade pra ver que “Besouro” é adaptação cinematográfica de qualquer novela das 6.

      =p

      Abraço!

  2. Eu de certa forma tenho que concordar…. não que o filme ficou péssimo mas é uma história que podia ser bem melhor explorada, ficou mal narrada….
    realmente as cenas de ação ficaram boas… mas não é só de cenas de ação que se faz um bom filme…

  3. me cite um filme q não poderia ser melhorado! um q seja perfeito! será q tem?
    chamar o filme de péssimo, pow foi longe demais! tá certo o roteiro poderia ser melhor, as atuações nos dialogos não são mto boas, mais retrata a capoeira como verdadeira arte, cmo filosofia de vida, mostra o mestre de capoeira cmo um mestre msm, q ensina pra vida e não só dar piruetas…
    só via esse tipo de msg nos filmes de kung fu.
    Axei o filme mto bom, poderia ser melhor? claro q sim, mais foi mto bom!!!

    1. Lord Icarus, não falei que o filme é péssimo. Ele é “apenas” ruim. E, ao longo de toda a resenha, disse o quanto eu gostaria de escrever positivamente sobre ele; estava torcendo para a produção.

      Mas ela, infelizmente, não me agradou.

      Abraço!

  4. eu gostei muito, tb….

    Muito melhor que o tigre e o dragão, que é um lixo e ilimitado “mais do mesmo”, que tem como referência (obviamente) todo e qualquer filme de bruce lee (bruce lee é melhor, lógico).

    O tema talvez pudesse ser melhor explorado por ser relativamente “novo”, porém, a crueza dos atores a la “cidade de deus” compensam o roteiro ligeiramente arrastado. Me lembrou muito “Barravento” do mestre Glauber.

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