Resenha: Amor Sem Escalas

“Já vi esse filme antes.” Foi com essa sensação que saí da sessão de Amor Sem Escalas (‘Up in the Air’, 2009), novo filme do diretor Jason Reitman (dos ótimos Juno e Obrigado Por Fumar). Pô, o filme é legal, tem personagens bacanas, boas atuações… mas sei lá, eu esperava mais.

George Clooney é Ryan Bingham, um executivo que passa a vida viajando de um Estado a outro demitindo pessoas. Solitário e inflexível, Bingham se vê tentado a mudar seu inóspito padrão de vida quando conhece Natalie Keener (Anna Kendrick, a Jessica de Lua Nova) e Alex Goran (Vera Farmiga, a mãe azarada de A Órfã).

O trio indicado ao Oscar® está ótimo em cena, especialmente Vera Farmiga que, além de entregar a melhor interpretação entre os três, é também a personagem mais interessante do filme. Anna Kendrick também é boa, apesar de caricata. Já Clooney faz o papel de Clooney como ninguém (na boa, seu Ryan Bingham é quase um clone introspectivo do Ocean, da trilogia Onze Homens e Um Segredo); e olha que a premissa do seu personagem é uma das melhores que já vi no cinema (esse cara fechado em um mundo de lugares e pessoas descartáveis, desconhecedor do amor, com um emprego de merda e eixo importante – porém ausente – de sua família).

Aliás, gosto do roteiro de Jason Reitman e Sheldon Turner quando ele faz esse estudo sobre relacionamentos a partir de personagens tão diferentes: a irmã que está noiva, a menina prodígio que levou um pé na bunda do namorado, a mulher de meia idade buscando alternativas para a monótona e careta vida de esposa/mãe. Essa tentativa de mostrar o quanto as pessoas são solitárias, estejam elas sozinhas ou acompanhadas, é bastante eficiente. Ainda assim, não é um roteiro que me agrada 100%: é notável que certas falas são meras frases de efeito para causar no espectador a sensação de estar diante de um filme inteligente, ou ainda esse seu lado político-econômico (demissões, crise), que em certo momento chega a se apoiar em depoimentos “reais” pra causar comoção. Fail.

E quando um filme acaba e você se dá conta de que o que mais gostou nele foi sua sequência de abertura (uma linda composição de imagens aéreas com uma trilha inspiradíssima), algo pode estar errado. Mas é estranho, porque o filme é mesmo legal e bem construído; não há, exatamente, algo de errado com ele (um pouco pretensioso, talvez?!). Só não me emocionou da maneira que esperava. Quem sabe numa segunda assistida…

Nota: 8,0

Amor Sem Escalas recebeu 6 indicações ao Oscar 2010:

– Melhor Filme

– Melhor Direção: Jason Reitman

– Melhor Ator: George Clooney

– Melhor Atriz Coadjuvante: Anna Kendrick

– Melhor Atriz Coadjuvante: Vera Farmiga

– Melhor Roteiro Adaptado (categoria na qual tem mais chance)

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3 comentários

    1. Sério que revelei muito?!
      Sorry, mas precisei falar essas coisas pra tentar expressar o que achei do filme.

      Sabe, Di, eu gosto dele também. Mas sinto que ele é meio pré-formatado. Filme que segue a receita de diálogos “espertinhos” pra ganhar prêmio. Entende?

      Enfim, não me emocionou o tanto que poderia.

      Beijão!

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