Resenha: Os Famosos e os Duendes da Morte

Dá uma invejinha pensar que o diretor Esmir Filho tem só 27 anos. Porra, são 4 curtos anos que separam o meu nascimento ao dele e o cara já fez um dos mais poderosos e premiados filmes nacionais. Maldito!

E, apesar de gostar muito do nosso cinema, não consigo lembrar outra obra que tenha me emocionado tanto como Os Famosos e os Duendes da Morte (Lavoura Arcaica, talvez). Um pessoal tem comparado o trabalho do Esmir aos filmes de Gus Van Sant. Acho justo.

Assim como no magnífico Elefante e no ótimo Paranoid Park, Os Famosos é repleto de silêncios e sutilezas que fisgam o coração e fazem a garganta se contorcer toda. E isso, claro, não é só culpa da beleza dos enquadramentos e da fotografia (um apuro visual inédito no cinema nacional); é culpa da sensibilidade de um diretor – com um ótimo texto em mãos – em fazer a gente relembrar os momentos mais solitários da nossa adolescência de maneira tão delicada. A tristeza das pessoas na cidade onde o filme acontece e a frieza das relações estabelecidas entre elas.. seriam desesperadoras se Esmir não as tivesse transformado em poesia.

Os Famosos e os Duendes da Morte é mais que um filme, é uma experiência sensorial fantástica. Um filme que deve ser visto (e sentido e respirado e apalpado) nos cinemas.

Mas um aviso: não é um filme comercial e fácil de ver. Pra curti-lo é preciso estar a fim de um programinha mais cult.

Nota: 9,5

Os Famosos e os Duendes da Morte estreia amanhã, 02/04, em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

[ATUALIZADO]

Revi o filme ontem, 04/04, e fiquei com vontade de acrescentar alguns pontos à resenha.

– Percebi que, apesar de serem visualmente muito interessantes, os trechos “câmera na mão”, que remetem à menina morta, se tornaram extremamente cansativos nesta segunda assistida. No começo da projeção, quando todos na sala não sabem do que se trata o filme, senti que eles passam uma impressão errada de filme de terror; uma coisa Bruxa de Blair tupiniquim. Além disso, Esmir se empolga um pouco nessa proposta vídeo-arte, alongando muito algumas cenas, como o sonho do garoto, as visões da menina na ponte e por aí vai. Entendo a intenção dele, mas dessa vez me cansou.

– A trama da garota é, sem dúvidas, o elo mais fraco do filme. Esmir poderia ter gastado menos esforços nele para se concentrar na relação do garoto com a mãe, que é a alma da produção. A cena final, por exemplo, do abraço emocionado entre os dois, é de uma beleza absurda.

– E como pude não citar o trabalho da atriz Áurea Baptista, que faz a mãe do “Mr. Tambourine Man” (o ótimo Henrique Larré)? Em cena, essa mulher entrega uma das melhores atuações já vistas no cinema nacional. Seu olhar carrega uma sinceridade e um sofrimento que impressionam, tamanha a naturalidade. Pra mim, essa mãe existe de verdade.

5 comentários

  1. Daaaa-lhe resenhas!!

    Eu gosto mais quando você se empolga e escreve mais.
    Mas… melhor ter resenhas curtas do que não ter, né?

    Vi também que deixou o cartaz de lado e ta usando uma imagem maior no topo da resenha. Eu gosto de fazer assim também porque da pra gente escolher uma imagem que traduz aquilo que queremos dizer.

    PS: Não assisti nenhum dos dois mais foi impossível não ler… rs

    1. Então cara.. resenhas curtas ou longas.. acho que não vou me apegar a nenhum formato específico.

      Sou meio louco, eu sei. Mas vai depender do filme e da minha boa vontade.. se tiver a fim, escrevo bastante… sei lá.

      hahaha

      É, e não vou mais usar o cartaz. Copiar você é mais legal! rs

      Abraço!

  2. Gostei muito do filme, ele não te da muitas informações, o que te leva a refletir. Já assisti pelo menos 4 vezes e não me canso. Parece que a desordem do filme se encaixa.. A trilha sonora também é maravilhosa. Enfim, adoro o filme.

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