Resenhas Cinema

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1

Eu não ia escrever sobre a Parte 1 do novo Harry Potter. Mas não resisti.

Bom, pra começar esta não é uma resenha. Não sei o que é (e não importa, né?).

Assisti ao filme na quinta-feira, na pré-estreia feita pela Warner e curti muito. Mas é certo que tem gente que não vai gostar.

Igual à Isabela Boscov, da Veja (não leio a revista, mas por um acaso, li a crítica do filme na edição desta semana), que se decepcionou com a produção.

É justo. E até faz sentido para quem analisa o filme apenas como filme, e não como adaptação cinematográfica de uma obra literária. Eu li o livro em seu lançamento, nem lembrava os detalhes da trama direito.

Enfim, questionar a opção do estúdio em dividir a história em duas partes é correto. Caberia tudo num filme, sim. Mas a decisão foi acertada – mais para os fãs, menos para o espectador comum. Isso porque a primeira parte da conclusão da saga pode parecer sem ritmo, arrastada, com cenas contemplativas e longas. Sim, mas é exatamente o que acontece no livro. Harry e seus dois amigos ficam muito tempo longe de casa (e da escola), se escondendo, fugindo, incertos do futuro que está logo ali. Sendo assim, tudo ótimo o filme respeitar isso, certo?!

E o filme é escuro (sujo, até), maduro, de gente grande, feito com muito respeito aos fãs. É por isso que agora eu peço um minuto de silêncio aos fãs de Crepúsculo, que ganharam filmes capengas, feitos sem nenhum amor à saga adaptada (a qual, ainda que de qualidade questionável, merecia filmes no mínimo decentes).

SILÊNCIO.

SILÊNCIO.

SILÊNCIO.

Pronto. Chega.

Se você ainda não viu Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1, vá sabendo que é um Harry Potter diferente, melhor, mais adulto e menos frenético.

Aguardemos a Parte 2, esta sim deverá deixar de lado o blá-blá-blá e pesar a mão nas batalhas, efeitos, varinhas, vassouras e toda a farofa que o povo gosta (e nós também!).

Holy Junk na pré-estreia de HP7 – Parte 1, com presença de Matthew Lewis (o Neville).

Resenha: Homem de Ferro 2

Às vezes é bom escrever sobre um filme depois de um tempo. Quando toda aquela empolgação do lançamento já passou e quando todo o impacto causado pela sessão já foi digerido. Há filmes que ficam ainda melhores com o passar do tempo. Não é o caso de Homem de Ferro 2.

Hoje gosto menos dele do que quando o assisti em sua estreia. Uma pena, já que o primeiro é um filmaço.

Mas Homem de Ferro 2 não chega a ser ruim; ele só peca pela falta de cenas ação e por perder tempo demais em coisas desnecessárias. Se no primeiro filme já tínhamos todo aquele lenga-lenga de apresentar personagem e mostrar suas origens, uma continuação deveria, no mínimo, ser mais frenética. Mas não. Jon Favreau e o roteirista Justin Theroux, criaram subtramas sem graça (Máquina de Guerra? Boring!) e ficam horas falando, por exemplo, que os EUA querem a armadura do herói e que ela própria o está matando.

Porra, e eles tinham coadjuvantes como Mickey Rourke, Scarlett Johansson e Sam Rockwell num mesmo filme e deram destaque a um insosso Don Cheadle?! Que desperdício.

O ótimo vilão encarnado por Rourke merecia mais tempo em cena (a sequência em Mônaco é a melhor do filme), assim como a Viúva Negra (Scarlett Johansson, surpreendendo como a heroína). Sam Rockwell foi o único que ganhou o devido destaque e mostrou porque é um dos atores mais interessantes dessa geração.

Ainda assim, o filme é todo de Robert Downey Jr. e seu Tony Stark, agora em versão mais irresponsável, irônico e putão. A sequência da conversa com Nicky Fury (Samuel L. Jackson) em uma lanchonete é sensacional e cheia de falas memoráveis.

E como esse, Homem de Ferro 2 tem outros bons momentos. Pena que a falta de ação (o mínimo que se espera de uma continuação) e a longa duração, ocupada em sua maioria por sequências que a gente simplesmente não quer ver, tenham tirado o brilho do que poderia ter sido um grande filme.

Nota: 7,0

Resenha: Fúria de Titãs

Se ser cafona é uma arte, então Fúria de Titãs é uma obra-prima. A refilmagem do delicioso filme de 1981, não faz questão alguma de ser sofisticada. Ela gosta mesmo é de ser brega, de abusar de elementos kitsch e seu sonho é ser classificada não como aventura ou ação, mas como filme B. E isso é ótimo!

Culpa do diretor Louis Leterrier, rapaz esperto que sabe como fazer boas porcarias – é dele Carga Explosiva 1 e 2, e O Incrível Hulk. Assim como nesses três filmes, Fúria de Titãs tem um fiapo de roteiro, atuações lamentáveis e sequências de ação de tirar o fôlego. E a gente precisa de mais o quê, me diz?!

Precisa de uma trama em que deuses putinhos e muito fodões tocam o terror na humanidade em troca de mais devoção. Precisa de um herói sem carisma, interpretado pelo onipresente Sam Worthington. Precisa de planos grandiosos, que mostram nosso grupo de heróis andando sobre montanhas ao som de Enya (ops, filme errado). Precisa de vilões deliciosamente canastrões, que não escondem o quanto estão se divertindo em cena (Ralph Fiennes é um gênio).

Fúria de Titãs tem tudo isso e efeitos especiais arrebatadores (exceto a Medusa, que apesar de bem-feita é claramente digital). A sacada visual para representar o Olimpo é genial e as armaduras que os deuses usam, banhadas por uma luz cintilante, só reforçam o charme cafona da produção.

Já o 3D é um desastre. Feita às pressas depois do sucesso de Avatar, a conversão do filme em três dimensões mais atrapalha do que acrescenta qualquer atributo à produção. Enfim, é um horror. Assista à cópia tradicional, em 2D.

Dito isso, Fúria de Titãs é divertidíssimo e imperdível. O melhor do filme é que, diferentemente de produções épicas como 300 e O Senhor dos Anéis, ele não se leva a sério (e recomendo que você o assista com isso em mente). Afinal de contas, já temos muitos blockbusters cabeçudos e refinados de caras como Christopher Nolan, Spielberg, J.J Abrams e Peter Jackson.

O mundo precisa de mais Louis Leterrier e suas porcarias.

Nota: 7,0

Fúria de Titãs chega aos cinemas em 21 de maio. RELEASE THE KRAKEN!

Resenha: A Hora do Pesadelo

Se existe alguém que tirou meu sono durante a infância, foi Freddy Krueger.

Bastava ver o comercial de qualquer um dos filmes no SBT, que eu já me cagava todo.

Aquele rosto desfigurado, aquelas garras afiadas, aquele sorriso de quem está só esperando você dormir pra acabar com a sua raça.

Mas aí eu cresci e todo o trauma foi superado. Só que vilão de cinema que é vilão de cinema, jamais morre.

Renascido das cinzas na pele de um novo ator (Jackie Earle Haley) e sob o comando de um diretor de videoclipes  sem muito talento (Samuel Bayer), o novo A Hora do Pesadelo cumpre bem seu propósito: apresentar Freddy Krueger à nova geração e fazê-la ficar tensa durante uma hora e meia. Mais nada.

A história você já conhece, os diálogos são ruins, os personagens e as atuações são caricatos, e toda a estrutura narrativa da produção é baseada nos clichês mais clichês do gênero. Apesar disso tudo e de todos os sustos serem absolutamente previsíveis acredite, você vai pular da cadeira. E isso é divertido.

Mas sério, chega a ser ridículo. Você sabe que a mocinha vai subir sozinha no sótão, você sabe que o filho da p*** vai aparecer bem naquela hora e mesmo assim, argh, você leva a porra do susto. Mas tudo bem, você pagou o ingresso pra que acontecesse isso mesmo. Lucro!

Apesar de valer como uma diversão descompromissada com a galera, A Hora do Pesadelo não agrega nada de novo à famosa série. No visual, o Freddy Krueger 2010 parece mais um alienígena do que um homem com rosto queimado e pela primeira vez o sempre ótimo Jackie Earle Haley (Pecados Íntimos, Watchmen) parece ter ligado o “vilão-automático”, tamanha sua preguiça em cena.

Aliás, o principal problema deste A Hora do Pesadelo é a ausência de sarcasmo e ironia de seu personagem, qualidades que fizeram Freddy Krueger um dos mais interessantes, divertidos e horripilantes vilões do cinema.

Nota: 6,5

A Hora do Pesadelo estreia sexta, 07 de maio. Porcaria divertida.

Resenha: Alice no País das Maravilhas

Não tinha como dar errado: Tim Burton é um dos cineastas mais criativos de Hollywood e Alice no País das Maravilhas, obra de Lewis Carroll, é uma das histórias mais ricas e cultuadas da literatura.

É, não tinha como dar errado. Mas deu.

Alice no País das Maravilhas de Tim Burton é um filme terrivelmente chato.

Ninguém poderia imaginar. Graças aos trailers e às belíssimas imagens conceituais da produção, todos aguardavam ansiosamente por um filme arrebatador (ainda mais em 3D). Burton, enfim, contaria sua versão da história, abusando de elementos sombrios e de um visual que derrubaria queixos, como sempre lhe é peculiar.

E então o filme estreou e tudo o que temos é uma produção entediante, sem ritmo e que parece ter sido feita às pressas e a muitas mãos (leia “o estúdio deve ter dado tanto pitaco que nem parece obra de Tim Burton”).

O filme começa muito bem, com uma Alice criança deitada na cama e contando ao pai sobre um sonho. E então ela cresce e seu pesadelo torna-se um pedido de casamento precoce. Pressionada e hostilizada pelos próprios familiares, ela foge e cai no buraco do Coelho, numa sequência muito legal.

Mas aí entramos no tal País das Maravilhas e o filme vai por água abaixo. Numa vibe Crônicas de Nárnia, é evidente que Tim Burton se perdeu no meio do processo e criou não um filme, mas um emaranhado de cenas “jogadas” com a pretensão de tirar o fôlego do espectador.

Aliás, sua exagerada preocupação com o visual parece ter afetado a direção de seus atores. Com exceção de Helena Bonham Carter (a melhor coisa do filme, sua Rainha Vermelha é divertidíssima), todos os atores parecem pouco confortáveis em cena. A Alice de Mia Wasikowska é extremamente apática (o que tem certo propósito até se tornar insuportável) e Johnny Depp está péssimo como o Chapeleiro Maluco (jamais pensei que usaria as palavras “Johnny Depp” e “péssimo” numa mesma frase, mas é o que é).

Por outro lado, as criaturas geradas por computador são sensacionais. O Gato que Ri (ou Cheshire) é, sem dúvidas, o personagem mais interessante do filme. É uma delícia vê-lo em cena e lamentei o fato dele aparecer tão pouco. Assim como o Coelho Branco e a Lebre Maluca.

Por fim, é triste ver que um filme com tanto potencial tenha ficado tão chato (sério, eu não via a hora de acabar e tenho zero vontade de assisti-lo de novo). Com um roteiro enfadonho e um visual que nem sempre acerta (além de uma conversão 3D tosca), Alice no País das Maravilhas é um dos maiores desperdícios do século.

Lamentemos.

Nota: 5,5

Resenha: As Melhores Coisas do Mundo

A lacuna foi preenchida! Finalmente o Brasil pode bater no peito e se orgulhar de ter um filme sobre e para adolescentes. Um filme que não finge ser o que não é; que não muda a voz para parecer mais novo e nem falsifica a identidade para entrar onde não deve.

As Melhores Coisas do Mundo é um retrato fiel e muito atual dos adolescentes brasileiros, um filme dirigido com maturidade por Laís Bodanzky (diretora de Bicho de Sete Cabeças e da pequena obra-prima Chega de Saudades) e escrito de maneira precisa e dinâmica por Luiz Bolognesi (cineasta que promete revolucionar a animação nacional em Lutas – O Filme).

A obra, inspirada na série de livros “Mano” de Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto, aborda todas as descobertas da fase mais gostosa e turbulenta da vida (bebida, drogas, sexo, família e, claro, amor) sem, em momento algum, parecer forçada, plástica, caricata.

Graças ao sensível olhar de Laís e ao fiel texto de Luiz à linguagem jovem, tudo em As Melhores Coisas do Mundo soa muito, mas muito natural. É um filme que joga no time do adolescente, apoiando a mão em seu ombro e dizendo “eu to nessa com você e sei por tudo o que você está passando e também sei como você se diverte, sofre e ama”.

Nada é falso como nos folhetins globais. Desde a incrível direção de arte de Cássio Amarante (repare como tudo em cena é genuíno, desde a casa da família, passando pelos quartos dos garotos e o carro meio caído do pai), à edição esperta de Daniel Rezende e, claro, à brilhante atuação do elenco jovem – que nem profissional é.

Francisco Miguez, o garoto que interpreta o protagonista Mano entrega uma atuação perfeita para o personagem: é no silêncio e no olhar que ele expressa seus conflitos e angústias; Fiuk (que faz o Pedro, irmão de Mano), apesar de um pouco exagerado e até caricato, faz jus ao teatral personagem; já Gabriela Rocha (Carol), uma das melhores surpresas do elenco, transmite tamanha veracidade em cena, que é difícil não relacioná-la a uma amiga ou conhecida que todos já esbarraram pela vida.

E mesmo quem já passou da idade, vai se envolver e se emocionar com As Melhores Coisas do Mundo. Belíssimas são as sequências, por exemplo, em que Mano atira ovos com a mãe (Denise Fraga, mostrando-se ótima longe da comédia) e abraça o irmão após ser vítima de bullying. Impossível segurar a garganta de se contorcer em nós.

Bom, sou suspeito pra falar, mas amo a maneira como o filme nos joga pra dentro desse universo, como ele nos faz sentir mais jovens (é delicioso ver as sequências no colégio, as quais mostram salas de aula vazias e o pátio lotado). Acredite, você vai sentir muita saudade dos seus 15 anos.

Pra terminar, só tenho mais uma coisa a dizer: Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi, muito obrigado!

Nota: 10

As Melhores Coisas do Mundo estreia nesta sexta-feira, 16 de abril. Imperdível, minha gente!

Ah, se eu fosse você visitaria os blogs reais dos personagens. Blog da Dri Novais e Blog do Pedro.

Resenha: Como Treinar Seu Dragão

Aleluia! Finalmente a DreamWorks fez um filmaço. Aliás, arrisco dizer que é a melhor animação do estúdio (o que não é lá muito difícil quando se tem Madagascar, Bee Movie, O Espanta Tubarões e Shrek 3 no currículo).

Agora, me admira o fato de Como Treinar Seu Dragão ser extremamente comum e previsível. O típico filme que você sabe como vai começar e terminar. Mas isso pouco importa, porque ele é delicioso; uma aventura eletrizante com personagens muito carismáticos.

A história lembra muito a estrutura de um game RPG e o tempo todo fiquei pensando que o filme poderia dar um belo e viciante jogo (essa coisa dos garotos treinando, dos diferente tipos de dragões etc).

As sequências de voo, do garoto pilotando seu dragão, são vertiginosas. Os planos são tão bem orquestrados que, vistos com óculos 3D (e no IMAX!), nos fazem sentir como numa montanha-russa. Deu até um medinho de altura. Sério!

Ah, e o dragão Banguela é uma belezura. Sua movimentação e comportamento são uma mistura entre gato e cachorro. Ou seja, você vai sair do cinema querendo um.

Fiquei impressionado também com a sequência final, que é nada menos que épica, grandiosa, barulhenta… enfim, de tirar o fôlego. Do jeitinho que um bom clímax deve ser.

Nota: 9,0

Resenha: Os Famosos e os Duendes da Morte

Dá uma invejinha pensar que o diretor Esmir Filho tem só 27 anos. Porra, são 4 curtos anos que separam o meu nascimento ao dele e o cara já fez um dos mais poderosos e premiados filmes nacionais. Maldito!

E, apesar de gostar muito do nosso cinema, não consigo lembrar outra obra que tenha me emocionado tanto como Os Famosos e os Duendes da Morte (Lavoura Arcaica, talvez). Um pessoal tem comparado o trabalho do Esmir aos filmes de Gus Van Sant. Acho justo.

Assim como no magnífico Elefante e no ótimo Paranoid Park, Os Famosos é repleto de silêncios e sutilezas que fisgam o coração e fazem a garganta se contorcer toda. E isso, claro, não é só culpa da beleza dos enquadramentos e da fotografia (um apuro visual inédito no cinema nacional); é culpa da sensibilidade de um diretor – com um ótimo texto em mãos – em fazer a gente relembrar os momentos mais solitários da nossa adolescência de maneira tão delicada. A tristeza das pessoas na cidade onde o filme acontece e a frieza das relações estabelecidas entre elas.. seriam desesperadoras se Esmir não as tivesse transformado em poesia.

Os Famosos e os Duendes da Morte é mais que um filme, é uma experiência sensorial fantástica. Um filme que deve ser visto (e sentido e respirado e apalpado) nos cinemas.

Mas um aviso: não é um filme comercial e fácil de ver. Pra curti-lo é preciso estar a fim de um programinha mais cult.

Nota: 9,5

Os Famosos e os Duendes da Morte estreia amanhã, 02/04, em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

[ATUALIZADO]

Revi o filme ontem, 04/04, e fiquei com vontade de acrescentar alguns pontos à resenha.

– Percebi que, apesar de serem visualmente muito interessantes, os trechos “câmera na mão”, que remetem à menina morta, se tornaram extremamente cansativos nesta segunda assistida. No começo da projeção, quando todos na sala não sabem do que se trata o filme, senti que eles passam uma impressão errada de filme de terror; uma coisa Bruxa de Blair tupiniquim. Além disso, Esmir se empolga um pouco nessa proposta vídeo-arte, alongando muito algumas cenas, como o sonho do garoto, as visões da menina na ponte e por aí vai. Entendo a intenção dele, mas dessa vez me cansou.

– A trama da garota é, sem dúvidas, o elo mais fraco do filme. Esmir poderia ter gastado menos esforços nele para se concentrar na relação do garoto com a mãe, que é a alma da produção. A cena final, por exemplo, do abraço emocionado entre os dois, é de uma beleza absurda.

– E como pude não citar o trabalho da atriz Áurea Baptista, que faz a mãe do “Mr. Tambourine Man” (o ótimo Henrique Larré)? Em cena, essa mulher entrega uma das melhores atuações já vistas no cinema nacional. Seu olhar carrega uma sinceridade e um sofrimento que impressionam, tamanha a naturalidade. Pra mim, essa mãe existe de verdade.

Resenha: Ilha do Medo

Não sei por que, mas gosto de filmes com manicômios. De Um Estranho no Ninho a Garota, Interrompida, se tem loucos enclausurados, eu já curto. Ilha do Medo tem um manicômio, mas não é só por isso que eu o acho um filmaço. Martin Scorsese já fez umas merdas, como O Aviador, mas aqui o mestre acerta em cheio. Aliás, arrisco a dizer que é o melhor dele desde Cassino.

Agora, conheço uma galera que não curtiu o filme, o acusando de “previsível”. Não, minha gente. Vocês não entenderam. A grande sacada da produção não é a revelação final (que é, de certa maneira, previsível; e Scorsese não faz mesmo muita questão de esconder). O incrível desse filme é como ele é bem construído… como o clima de tensão é desenvolvido com brilhantismo… como cada personagem é fascinante.

Chega a ser claustrofóbico, tamanha é a maneira como somos arremessados naquele ambiente, naquela situação; em que se deve desconfiar de tudo e de todos. E que história emocionante e sofrida!

Talvez poderia ser mais curto e mais ágil em algumas passagens. Ainda assim, Ilha do Medo é simplesmente genial (e com uma das sequências finais mais arrebatadoras do cinema!).

Nota: 9,0

Resenhas – novo formato

Se você lê o blog há algum tempo deve ter percebido que as resenhas entraram em extinção.  A última foi uma, meio sem vontade de existir, sobre Amor Sem Escalas.

Sim, os dias estão mais corridos. Mas isso não é lá muita desculpa. Tempo a gente sempre arranja, por bem ou por mal.

A verdade é que estou numa fase com preguiça de escrever resenhas. Nunca levei esse blog muito a sério, muito menos meu papel como “crítico/resenheiro”.  Apesar disso, meus últimos textos estavam todos seriões, abordando  aspectos técnicos da produção, julgando as escolhas do diretor e por aí vai.

E isso, me cansou.

As resenhas não vão morrer. Muito menos esse blog, que, apesar de estar às moscas, hora ou outra voltará com a dignidade que merece.

Ainda estou pensando em um formato novo para as resenhas. Um formato mais “express”, sem muito lenga lenga e que cumpra um único papel: dizer se gostei ou não de um filme. O que, vamos bem dizer, é inútil, uma vez que nunca uma pessoa assiste ao mesmo filme que outra. Afinal, histórias de vida diferentes = visões diferentes de uma mesma obra.

Enfim.

Agora desligue esse computador e vai espiar a vida lá fora, antes que ela vá embora.

;)