Resenhas DVD

DVD: Clássico, Críticos e Shakespeare

Cinema ParadisoCinema Paradiso (1988). Sabe aquele filme que, durante sua vida inteira, todo mundo falou para você ver, mas sempre rolou uma preguiça? Pois bem, este é Cinema Paradiso. Apesar de lamentar não o ter visto antes, sinto que o assisti no momento certo. O filme me marcou muito. Fiquei realmente comovido com a linda história de amizade entre um garotinho (que é simplesmente idêntico a mim quando criança) e o projecionista de um cinema. O único porém é que vi a versão estendida do filme, e não estava preparado para suas quase 3h de duração. Ainda, uma obra-prima. Indiscutivelmente. Nota: 9,5

Matadores de VelhinhaMatadores de Velhinha (2004). Tinha deixado esse filme de lado graças às críticas ruins que recebeu em seu lançamento. Mas ele só ajudou a reforçar o que eu já sabia: nunca acredite 100% na opinião de um crítico. Bom, como não sou crítico, pode levar minha opinião menos a sério ainda. Ok ok, sobre o filme: gostei bastante, mas certamente não é o melhor dos irmãos Coen (que fizeram Fargo e Onde Os Fracos Não Têm Vez). A comédia tem deliciosos personagens bizarros (como o asiático que esconde o cigarro aceso na boca) e uma direção de arte muito interessante, quase cartunesca. O Holy Junk recomenda. Acredite, ou não. Nota: 8,0

Perdendo a NoçãoPerdendo a Noção (2008). Por algum motivo, esta comédia fez um barulhinho nos EUA. Sim, por algum motivo que não consegui entender. A premissa é muito boa (um professor de teatro que escreve uma continuação nonsense para Hamlet, de Shakespeare), mas a comédia simplesmente não decola. Fica, perdão pelo termo, punhetando o tempo todo e, quando acaba, a gente fala “é isso?”. Enfim, algumas piadas funcionam, principalmente as que tiram sarro com filmes de “professores inspiradores”, como Sociedade dos Poetas Mortos. O resto, é um desperdício. Nota: 6,0

Anime-se

Se você bateu o olho no “Assisti Ontem” da última semana, deve ter percebido que assisti a alguns Animes (aqueles desenhos animados japoneses).

Acontece que nunca tive o interesse por este tipo de animação. Não por preconceito, nem nada; apenas preferia as ocidentais (leia Disney/Pixar).

A Viagem de Chihiro

Bom, isso até eu ver A Viagem de Chihiro, obra-prima vencedora do Oscar® de melhor animação em 2003. Sem exagero, foi como despertar para e em um mundo novo, um lugar onde a criatividade brota em cada fala, em cada cor, em cada delicioso personagem. Entusiasmado com o filme de Hayao Miyazaki, não resisti e me deixei levar por outras obras do gênero, tão geniais quanto Chihiro.

Por isso, meus caros, esse post traz dicas de DVD e também um alerta: não faça como eu, não perca tempo e entre no mundo dos animes agora, já, imediatamente!

Clique no pôster para ver o trailer (menos no Sr. Miyaza!).

Akira

A Viagem de Chihiro

O Castelo Animado

Tekkonkinkreet

SteamboyHayao Miyazaki

Vi até agora e recomendo: Akira (1988) é o anime que influenciou muita coisa no cinema (e é, para mim, tão perturbador quanto 2001: Uma Odisséia no Espaço); A Viagem de Chihiro (2001) é lindo demais e traz uma história que capta, como nenhuma outra, os encantos e angústias da infância; O Castelo Animado (2004) tem uma trama repleta de fantasia e talvez seja o meu preferido de todos; Tekkonkinkreet (2006), assim como Akira, usa a cidade como pano de fundo para uma história sobre violência e, sobretudo, amizade. Não é um filme fácil, mas seu roteiro é mais poderoso que um Pokémon nível 100; Steamboy (2004) é a produção mais grandiosa de todas (dizem ser a animação japonesa mais cara da história) e também a mais “pé no chão”: nada de bichinos falantes ou garotos voadores nesta história sobre ganância, poder e máquinas.

E em janeiro chegará aos cinemas brasileiros a nova obra de Miyazaki, Ponyo.

Estarei na sessão de estreia. E você?

;-)

p.s: post dedicado à Eli, a “culpada” por esta minha nova paixão.

DVD: Jorge Furtado, Jorge Furtado e Jorge Furtado

Algumas poucas palavras, sobres alguns bons filmes, de um dos melhores cineastas brasileiros.

houveumavezdoisveroes

Houve uma Vez Dois Verões (2002). Em seu primeiro longa-metragem, Furtado explora um universo seguro: o da adolescência. Ainda que tudo pareça previsível e tenha um clima amador (a fotografia, a trilha, as atuações), o talento do cineasta surpreende com bons diálogos e muitas reviravoltas. Nota: 7,0

 

 

meutiomatouumcaraMeu Tio Matou Um Cara (2004). Após o sucesso de O Homem Que Copiava, Furtado volta a falar sobre adolescentes nesta comédia investigativa sobre um garoto obcecado em livrar a pele do tio. Apesar de ser o texto menos ácido e engraçado do diretor, o roteiro surpreende ao captar de maneira bastante sensível as nuances da fase mais difícil da vida. O trio de jovens protagonistas é também bastante competente. Nota: 7,5

 

 

saneamentobasicoSaneamento Básico (2007). Moradores de uma comunidade querem dinheiro público para arrumar a fossa (ou fosso) do local. O problema é que o governo só dispõe de verba para cultura, logo, eles decidem fazer um filme sobre o problema para pegar a grana e eliminar o cheiro de merda. Só com este resumo da história, o filme já entra em campo vencendo. Fernanda Torres é sempre ótima e Lázaro Ramos rouba as cenas em que aparece. Uma comédia inteligente cheia de sutilezas e escrotices. Nota: 9,0

Aproveite que está sem fazer nada, lendo as bobeiras que escrevo e assista aos brilhantes curtas do cineasta:

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

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DVD: Cassino, merda e jogo sujo

what_happens_in_vegasJogo de Amor em Las Vegas (2008). Ashton Kutcher só faz filme ruim. Tirando a série That 70´s Show, em que fez o descerebrado Kelso, nada em sua biografia salva (inclusive a bomba superestimada Efeito Borboleta). Talvez por isso estava com vontade zero de ver esta comédia, que, no fim das contas, acabou sendo um divertido “mata-tempo” para um final de domingo. Mais do mesmo.

Nota: 7,0

 

drillbit_taylorMeu Nome é Taylor – Drillbit Taylor (2008). Quando Owen Wilson tentou suicídio, deve ter sido depois desse filme. Voltado para a molecada que está entrando na adolescência, esta comédia é vergonhosa de tão ruim. Nem legal por ser ruim ela consegue ser. Primeira grande falha de Seth Rogen, que coassina o roteiro.

Nota: 1,5

 

 

marley_and_meMarley & Eu (2008). Uma coisa é fazer um filme bunitim com cachorro fofim. Outra, é apelar, jogar sujo, como faz o diretor David Frankel (O Diabo Veste Prada) nesta adaptação do best-seller homônimo. Ele abusa de golpes baixos para fazer o espectador chorar. Não uma, mas muitas vezes. Quando você já secou as lágrimas, pensando que acabou, a música triste volta e o diretor quase salta da tela para te dar um beliscão dizendo “chora mais, infeliz, chora”. Tirando isso, a produção é um bom passatempo, perfeito para as tardes de domingo e forte candidato a clássico da sessão da tarde. Nota: 7,0

DVD: Bonzinho, presos e cruéis

chokeChocke – No Sufoco (2008). O livro do mesmo autor de Clube da Luta ganhou uma adaptação muito comportada nos cinemas. O texto de Chuck Palahniuk sobre um cara viciado em sexo que busca estreitar relações com a enferma mãe, é tão inteligente e ácido que é de se lamentar que o ator Clark Gregg, aqui fazendo sua estreia na direção, não tenha tido a sensibilidade e ousadia visual exigida para a transposição cinematográfica da obra. Apesar disso, as atuações de Anjelica Huston e Sam Rockwell (ótimos como mãe e filho problemáticos) e, mais uma, vez o texto de Palahniuk compensam a descoberta desse filme. Nota: 7,0

PapillonPapillon (1973). Steve McQueen e Dustin Hoffman estrelam este que é o clássico dos clássicos quando o assunto é filme de fuga. McQueen é Papillon (que em francês significa borboleta) um homem condenado injustamente por assassinato que é enviado para uma prisão de segurança máxima na Guiana Francesa. Lá acontecem coisas trash com Papillon (insetos para o almoço, que tal?), mas nada seria convincente se a entrega de McQueen ao personagem não fosse absoluta. Pena que a qualidade do DVD brasileiro seja precária. Nota: 8,0 

 

Funny_gamesViolência Gratuita (2007). O diretor alemão Michael Haneke (ganhador do Leão de Ouro este ano em Cannes) faz de Violência Gratuita uma refilmagem obsessiva do seu próprio filme, Funny Games, de 1997. Obsessiva pois Haneke faz o mesmo filme de doze anos atrás, com enquadramentos e roteiro iguaiszinhos. O que muda na versão americana são os atores, aqui muito bem representados por Naomi Watts, Tim Roth e o excelente garotinho Devon Gearhart. O trio forma uma família que, ao chegar em sua casa de campo, é surpreendida por dois jovens bem educados, os quais, por razões que o diretor faz questão de não nos explicar, deixam claro que estão ali para matá-los ou serem mortos por eles. Fazendo uso de uma bela trilha sonora e longos planos-sequência, Haneke escancara a manipulação do cinema ao esfregar na nossa cara que tudo ali é feito para nos despertar algum tipo de sensação, seja tensão, indignação ou revolta. É o cinema estudando o cinema. Nota: 9,0

Se já viu o filme, assista ao vídeo abaixo, que compara as duas versões:

DVD: Diretores, ETs e Cachorros

feliznatalFeliz Natal (2008). A estreia do ator Selton Mello na direção não poderia ser melhor. Usando a família como ponto de partida, ele cria um drama complexo, denso e de uma sinceridade pouco vista ultimamente no cinema. A cada plano, em cada sequência, percebe-se que o ator está em busca de um estilo atrás das câmeras. Ou talvez não. Talvez seu estilo como diretor seja o de não ter um estilo; seja a experimentação, a câmera como elemento orgânico e parte essencial da trama. Feliz Natal, enfim, é uma homenagem ao cinema feita por um cara apaixonado por esta arte. Grande Selton Mello. Nota: 9,o

 

kpaxK-PAX: O Caminho da Luz (2001). Se um cara chegasse ao seu lado e dissesse “oi, eu sou um alienígena”, você acreditaria? Bom, esse é o dilema de Jeff Bridges neste filme em que Kevin Spacey (ótimo) diz ter vindo de outro planeta. Um filme muito agradável, por sinal, com boa fotografia e interessante roteiro. Poderia ser um pouco mais curto e com final mais corajoso. E não, Will Smith não aparece de terno preto e óculos escuros. Esse é outro filme. Nota: 7,5

 

 

must_love_dogsProcura-se Um Amor Que Goste de Cachorros (2005). Gosto do John Cusack. Apesar de não achar ele um grande ator (de fato, não o é), gosto do modo como ele caracteriza suas personagens. O mesmo com Diane Lane, que manda bem naquilo que se propõe (o que quer que isto signifique). Confesso que tinha esperanças de ver algo novo neste filme. Eu sei, idiotice minha esperar tal coisa. Enfim, comédia romântica fraquinha. O começo tem bons diálogos mas o resto é um embolado de vai e voltas bocejante. Nota: 6,0

DVD: Música, família e futebol

onceApenas Uma Vez (2006). O vencedor do Oscar® 2008 de melhor canção é aquele tipo de filme que faz um bem danado pra mente, pra alma e pro coração. A produção irlandesa acompanha um rapaz e uma garota que se encontram na rua e se apaixonam ficam amigos graças à música. O estilo documental adotado pelo diretor, somado ao fato dos dois não serem atores profissionais, da à produção uma naturalidade absurda (valor visto recentemente em Entre os Muros da Escola). Sensível, emocionante e com uma trilha sonora arrebatadora, Apenas Uma Vez é um dos melhores romances/filmes que já vi. Isso é que é cinema! Nota: 9,5

 

kramer_vs_kramerKramer VS. Kramer (1979). O filme que rendeu à Meryl Streep seu primeiro Oscar e ganhou outros 4, incluindo Melhor Filme, não é de grandes surpresas: mãe abandona filho com pai e depois volta para lutar pela guarda da criança. Um drama familiar bastante convencional, mas que certamente influenciou boa parte dos dramas convencionais de hoje em dia, graças a um roteiro bem escrito e conduzido e às primorosas atuações de Dustin Hoffman (também premiado) e Meryl. Só pelo duelo de titãs, o filme é mais que obrigatório. Nota: 8,5

 

linhadepasseLinha de Passe (2008). Infelizmente não vi a nova produção de Walter Salles (codirigida por Daniela Thomas) nos cinemas. Por sorte minha e competência deles, o filme não perdeu sua força na telinha. Digo isso porque fiquei bastante sensibilizado com a obra, que é intensa e cheia de melancolia. Sandra Corveloni está brilhante como a matriarca de uma família de 4 garotos; cada um com sua história, dilemas e conflitos. Um filme genuinamente brasileiro, dirigido com primor pela dupla de cineastas. Nota: 9,0

DVD: Remorso, torre eiffel e rock

atonement

Desejo e Reparação (2007). Uma brincadeira, uma carta, um engano e uma menina filha da mãe, são a base deste belo filme. Dois anos depois de Orgulho e Preconceito, o diretor Joe Wright retorna com outra famosa adaptação literária: sai Jane Austen, entra Ian McEwan. Mas Keira Knightley permanece, com as mesmas expressões (para mim, ela sabe fazer apenas uma personagem). Enquanto James McAvoy e seu sotaque escocês são sempre bons em cena. Trama interessante, bem conduzida e com um final surpreendente. Nota: 8,5 

paris_je_taimeParis, Te Amo (2006). Pague um, leve muitos. É mais ou menos esse o espírito desse filme recheado de curtas sobre o amor na cidade luz. Grandes diretores assinam as pequenas obras: Gus Van Sant, os irmãos Coen, Walter Salles, Alfonso Cuarón entre outros. Assim, a produção acaba tendo os seus altos e baixos, com tramas envolventes e bem realizadas, e outras nem tanto. O melhor é ver como cada diretor tem uma visão particular sobre o tema e ainda, como cada identidade, narrativa ou visual, contribui à sua maneira no resultado final da produção. Nota: 8,0 

controlControl (2007). Ian Curtis se matou em 1980, aos 23 anos. Antes disso, trabalhou em uma agência de empregos e foi vocalista da Joy Division, uma das mais influentes bandas de rock das últimas décadas. Com uma bela fotografia em petro-e-branco, enquadramentos bastante sensíveis e boas atuações, Control acompanha a trajetória do jovem gênio britânico, do ingresso à música ao suicídio. Um sincero retrato de uma época e de uma personalidade em conflito com sua arte e seus romances. Pena que, da metade para o final, seu ritmo fique um pouco arrastado. Nota: 8,0

DVD: Selva, sono e quentura

madagascar 2Madagascar 2 (2008). Ainda não foi dessa vez que a franquia sobre os animais nova-iorquinos perdidos na selva me conquistou. O primeiro já não me empolgou muito, e, mesmo sendo melhor que o original, de 2005, esta continuação é mais do mesmo. O visual está mais bonito, mas a história é boba, alguns personagens desnecessários e são pouquíssimas as piadas que funcionam. Enfim, agora é esperar pelo terceiro. Nota: 6,0


persepolisPersépolis (2007). Nem os prêmios que ganhou, nem as ótimas críticas que recebeu, impediram que o filme me desse um baita sono. Tentei resistir, mas o visual monocromático e o tema político demais me proporcionaram relaxantes cochilos. Para mim, os momentos da menina com a avó são os mais interessantes. O resto, zzzzzz. Mas merece uma segunda chance, eu sei. Nota: 7,0

 

Some Like It HotQuanto Mais Quente Melhor (1959). Primeira vez que vejo a esta clássica produção com Marilyn Monroe, Tony Curtis e Jack Lemmon, e percebo o quanto ela influenciou as comédias desta geração. A história sobre dois músicos que se disfarçam de mulheres para fugir de mafiosos, parece batida hoje. Mas o roteiro é de uma simplicidade genial e repleto de diálogos memoráveis, algo difícil de encontrar nas porcarias atuais. Considerado por muitos como a melhor comédia de todos os tempos, esta obra de Billy Wilder é mais que obrigatória. Nota: 9,5

DVD: Sanguinários, puladores e forçados

Extermínio 2Extermínio 2 (2007). Já falei que gosto muito de filmes de zumbi, né? Fala sério, não há nada mais divertido do que àquela galera semimorta correndo pra lá e pra cá, contaminando todo mundo. E Extermínio (2002) é, pra mim, o melhor filme do gênero (seguido pela comédia Todo Mundo Quase Morto). Naturalmente, quando sua continuação foi anunciada, fiquei com sangue nos olhos. Mas até que o filme não é de todo pessimamente muito ruim. A história original é preservada e bem continuada. Ao final, o nível de diversão é bem satisfatório, mesmo com um roteiro cheio de furos. Nota: 7,5

JumperJumper (2008). Tá aqui o exemplo de um filme que tinha tudo pra ser ferrado, mas saiu meia boca. Um garoto descobre ter o poder do teletransporte e o usa exclusivamente a seu favor: rouba bancos, vagueia pelo mundo e nem pensa em dar uma de herói. Até que descobre a existência de um grupo que caça e mata pessoas iguais a ele. A premissa bacana acaba ficando em segundo plano por causa de um namorico bem insosso. Mesmo assim, as (poucas) cenas de ação compensam. Nota: 7,0

Podecrer!Podecrer! (2007). Não dá pra curtir um filme que tem o Lulu Santos como padre. Sério, eu tentei, mas não consegui engolir um roteiro repleto de personagens caricatos e com diálogos e situações pouco naturais (quem, com 17 anos e sem o menor esforço, ganha uma bolsa para estudar cinema em Paris?). O melhor dessa produção brasileira são as cenas feitas com câmeras Super-8. O resto é vazio e desinteressante. Nota: 5,0