Alice No País das Maravilhas

Resenha: Alice no País das Maravilhas

Não tinha como dar errado: Tim Burton é um dos cineastas mais criativos de Hollywood e Alice no País das Maravilhas, obra de Lewis Carroll, é uma das histórias mais ricas e cultuadas da literatura.

É, não tinha como dar errado. Mas deu.

Alice no País das Maravilhas de Tim Burton é um filme terrivelmente chato.

Ninguém poderia imaginar. Graças aos trailers e às belíssimas imagens conceituais da produção, todos aguardavam ansiosamente por um filme arrebatador (ainda mais em 3D). Burton, enfim, contaria sua versão da história, abusando de elementos sombrios e de um visual que derrubaria queixos, como sempre lhe é peculiar.

E então o filme estreou e tudo o que temos é uma produção entediante, sem ritmo e que parece ter sido feita às pressas e a muitas mãos (leia “o estúdio deve ter dado tanto pitaco que nem parece obra de Tim Burton”).

O filme começa muito bem, com uma Alice criança deitada na cama e contando ao pai sobre um sonho. E então ela cresce e seu pesadelo torna-se um pedido de casamento precoce. Pressionada e hostilizada pelos próprios familiares, ela foge e cai no buraco do Coelho, numa sequência muito legal.

Mas aí entramos no tal País das Maravilhas e o filme vai por água abaixo. Numa vibe Crônicas de Nárnia, é evidente que Tim Burton se perdeu no meio do processo e criou não um filme, mas um emaranhado de cenas “jogadas” com a pretensão de tirar o fôlego do espectador.

Aliás, sua exagerada preocupação com o visual parece ter afetado a direção de seus atores. Com exceção de Helena Bonham Carter (a melhor coisa do filme, sua Rainha Vermelha é divertidíssima), todos os atores parecem pouco confortáveis em cena. A Alice de Mia Wasikowska é extremamente apática (o que tem certo propósito até se tornar insuportável) e Johnny Depp está péssimo como o Chapeleiro Maluco (jamais pensei que usaria as palavras “Johnny Depp” e “péssimo” numa mesma frase, mas é o que é).

Por outro lado, as criaturas geradas por computador são sensacionais. O Gato que Ri (ou Cheshire) é, sem dúvidas, o personagem mais interessante do filme. É uma delícia vê-lo em cena e lamentei o fato dele aparecer tão pouco. Assim como o Coelho Branco e a Lebre Maluca.

Por fim, é triste ver que um filme com tanto potencial tenha ficado tão chato (sério, eu não via a hora de acabar e tenho zero vontade de assisti-lo de novo). Com um roteiro enfadonho e um visual que nem sempre acerta (além de uma conversão 3D tosca), Alice no País das Maravilhas é um dos maiores desperdícios do século.

Lamentemos.

Nota: 5,5

Alice, por Burton

Hoje só se fala nisso: nas primeiras imagens conceituais de Alice No País das Maravilhas, versão live action de Tim Burton que, detalhe, será em 3D.

Estou babando feito um animal que baba muito, mas não sei o nome.aliceinwonderlandaliceinwonderland1aliceinwonderland2aliceinwonderland3aliceinwonderland4aliceinwonderland5O filme estréia em 5 de março de 2010. A paciência é uma virtude, a paciência é uma virtude, a paciência é uma virtude.