David Fincher

O Curioso Trabalho de David Fincher

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Se fosse possível traduzir todo o trabalho de David Fincher em uma única palavra, ela seria “inovação”. 

Nascido em 28 de agosto de 1962, em Denver, Colorado, Fincher iniciou sua carreira na televisão, dirigindo comerciais e vídeo clipes. Não demorou muito para que chamasse a atenção de Hollywood, graças ao estilo visual fantástico adotado em vídeos para artistas como Madonna, The Rolling Stones e Michael Jackson. 

Sua estreia nos cinemas veio em 1992, com Alien 3. O filme enfrentou uma série de problemas durante sua produção, e a ousada versão proposta por Fincher foi barrada pelo estúdio, que chegou a demitir o diretor. Resultado: o filme foi um fiasco. 

Uma carreira que mal tinha começado poderia ter chegado ao fim naquele mesmo momento. Mas a volta por cima, e a prova de que era um diretor talentoso, aconteceu em 1995, com Se7en – Os Sete Crimes Capitais. Uma subversão do filmes policiais, esta obra-prima tornou-se referência ao gênero e marcou sua primeira parceria com o ator Brad Pitt. Se7en é também o maior sucesso de bilheteria na carreira do diretor até hoje (Benjamin Button deve mudar isso). 

Dois anos depois, Fincher dirigiu Sean Penn num jogo psicológico com Michael Douglas, em Vidas em Jogo. A produção provou o que todo mundo já previa: David Fincher era um diretor que sabia como prender a atenção do espectador e surpreendê-lo com um final imprevisível. Mesmo assim, o público só foi descobrir o filme nas locadoras, já que ele foi um fracasso de bilheteria. 

Sua consagração como um dos mais importantes e influentes cineastas americanos viria com Clube da Luta, em 1999, sua segunda produção com Brad Pitt. Em sua estreia, o filme causou polêmica por seu conteúdo subversivo e violento. Hoje, ganhou status de cult, é considerado uma obra-prima por especialistas e é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos (Tyler Durden is the man!). 

Em 2002, levou aos cinemas o thriller Quarto do Pânico, sobre uma mãe (Jodie Foster) que fica presa com sua filha em um quarto superseguro. Nas mãos de outro diretor, o filme não traria grandes novidades, mas tendo Fincher no comando, a produção dá um show técnico, com um visual espetacular (esse filme em blu-ray deve ficar f***!). 

Após quatro grandes filmes produzidos em seguida, David Fincher levou cinco anos para levar as telas seu penúltimo filme, Zodíaco, de 2007. A espera, como sempre, valeu a pena. A produção é um drama policial de primeira, sobre uma perseguição a um serial killer que dura três décadas. Entre Zodíaco e Se7ven, sinceramente, não consigo dizer qual o melhor. Os dois são…sei lá…sem palavras. 

Em pouco mais de 16 anos de carreira, David Fincher produziu obras que se tornaram obrigatórias na história do cinema. E, O Curioso Caso de Benjamin Button, chega para aumentar a lista. Com o filme, Fincher buscou sua renovação, percorrendo caminhos nunca antes visto em suas obras, tanto em forma (cenários monstruosos, trilha clássica, câmera comportada) quanto em conteúdo (o amor eterno, a fragilidade da vida, a aceitação da morte).

Ainda assim, não acredito que David Fincher levará seu primeiro prêmio como melhor diretor na festa do Oscar este ano. Só espero que não a Academia não faça com ele, o que fez com Scorcese. 

E se você ainda não assistiu aos filmes deste inovador diretor, está esperando o quê? Corra já para sua locadora e depois vá direto para o cinema conferir O Curioso Caso de Benjamin Button.

Resenha: O Curioso Caso de Benjamin Button

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São Paulo. Terça-feira. Um calor dos infernos. Tudo ia bem quando tudo ficou melhor. Lá pelas 16h, consegui um famigerado ingresso para a pré-estreia de O Curioso Caso de Benjamin Button. Sucesso!

Entrei na sala escura e bem cheia, soltando peidos de expectativa.  Trailer 1: Sim Senhor. Trailer 2: Gran Torino. Trailer 3: O Contador de Histórias. Luzes 100% apagadas. Os logos da Warner e da Paramount surgem na tela como nunca antes (fantásticos, por sinal). 

Seria o começo de um dos filmes mais belos que já vi.

Por mais bizarra que seja a história – baseada em um conto de F. Scott Fitzgerald -, nas mãos de David Fincher, a jornada de um homem que nasce com 80 anos e fica jovem com o passar do tempo, torna-se absolutamente crível e emocionante.

Mais que isso. O filme é uma linda poesia sobre a fragilidade da existência humana.

Tudo graças a um roteiro excepcional (alguns diálogos são memoráveis), a técnicas irretocáveis (o processo de envelhecimento dos personagens é de cair o queixo), a atuações inspiradas e a uma direção segura, que soube amarrar tudo isso da melhor maneira possível.

E acredite, a câmera de Fincher está mais comportada do que nunca. O que não é ruim, já que o diretor mostrou como ser subversivo, sem precisar fazer as estripulias visuais de Quarto do Pânico ou Clube da Luta

Em alguns – poucos – momentos o filme desacelera, mas não fica menos interessante. As atuações de Brad Pitt e de Cate Blanchett são marcos em suas carreiras. Quando idoso, é com a ternura das pequenas expressões que Pitt nos convence que, dentro daquele corpo enrugado, vive uma criança.

Belíssimo, inteligente, engraçado e muito emocionante, O Curioso Caso de Benjamin Button é também um filme que faz refletir. Pensar sobre a vida, a morte, e sobre como é bom gostar de cinema.

Nota: 9,0