Mickey Rourke

Resenha: Homem de Ferro 2

Às vezes é bom escrever sobre um filme depois de um tempo. Quando toda aquela empolgação do lançamento já passou e quando todo o impacto causado pela sessão já foi digerido. Há filmes que ficam ainda melhores com o passar do tempo. Não é o caso de Homem de Ferro 2.

Hoje gosto menos dele do que quando o assisti em sua estreia. Uma pena, já que o primeiro é um filmaço.

Mas Homem de Ferro 2 não chega a ser ruim; ele só peca pela falta de cenas ação e por perder tempo demais em coisas desnecessárias. Se no primeiro filme já tínhamos todo aquele lenga-lenga de apresentar personagem e mostrar suas origens, uma continuação deveria, no mínimo, ser mais frenética. Mas não. Jon Favreau e o roteirista Justin Theroux, criaram subtramas sem graça (Máquina de Guerra? Boring!) e ficam horas falando, por exemplo, que os EUA querem a armadura do herói e que ela própria o está matando.

Porra, e eles tinham coadjuvantes como Mickey Rourke, Scarlett Johansson e Sam Rockwell num mesmo filme e deram destaque a um insosso Don Cheadle?! Que desperdício.

O ótimo vilão encarnado por Rourke merecia mais tempo em cena (a sequência em Mônaco é a melhor do filme), assim como a Viúva Negra (Scarlett Johansson, surpreendendo como a heroína). Sam Rockwell foi o único que ganhou o devido destaque e mostrou porque é um dos atores mais interessantes dessa geração.

Ainda assim, o filme é todo de Robert Downey Jr. e seu Tony Stark, agora em versão mais irresponsável, irônico e putão. A sequência da conversa com Nicky Fury (Samuel L. Jackson) em uma lanchonete é sensacional e cheia de falas memoráveis.

E como esse, Homem de Ferro 2 tem outros bons momentos. Pena que a falta de ação (o mínimo que se espera de uma continuação) e a longa duração, ocupada em sua maioria por sequências que a gente simplesmente não quer ver, tenham tirado o brilho do que poderia ter sido um grande filme.

Nota: 7,0

Resenha: O Lutador

O LutadorApesar de todo o burburinho envolvendo a produção, entrei na sala escura sem grandes expectativas. Não botava fé na atuação de Mickey ‘The Freak’ Rourke e não entendia como um filme sobre um lutador poderia ser tão bom quanto diziam. 

E realmente não é tão bom quanto diziam. É melhor. 

O novo trabalho do diretor Darren Aronofsky (do cult Pi, do aclamado Réquiem Para Um Sonho e do incompreendido Fonte da Vida) é uma obra-prima com alma, coração e conteúdo. 

Desde a primeira cena, com Rourke sentado, de costas para uma câmera inquieta, já senti que o filme seria diferente. 

Ainda assim, tentei não me entregar logo de cara. Sem sucesso. Aronofsky desferiu golpes baixos e me nocauteou com um clímax arrasador. 

A trama segue Randy ‘The Ram’ Robinson, um bem-sucedido lutador que é forçado a deixar os ringues após sofrer um ataque cardíaco. Por necessidade, passa a trabalhar na banca de frios de um mercado e ocupa seu tempo livre com visitas à Cassidy (Marisa Tomei, gostosa), stripper por quem nutre certa atração. 

Os diálogos são ótimos, principalmente nas sequências do mercado e quando ‘The Ram’ busca reconquistar a filha descrente (Evan Rachel Wood). 

Agora sou obrigado a deixar o orgulho de lado e dizer: Mickey Rourke está brilhante como o lutador decadente. Que ele merece ganhar o Oscar®, isso é fato. Só resta saber quem merece mais, ele ou Sean Penn. Darei minha opinião quando assistir Milk – A Voz da Igualdade, que estreia sexta-feira. 

Por enquanto, O Lutador é o melhor filme que eu vi dessa temporada de premiações. 

Ok, ok. Ainda resta eu conferir Dúvida, Milk, Frost/Nixon e Quem Quer Ser Um Milionário?. =p 

Nota: 9,5

O Resgate do Soldado Rourke

rourke2É incrível como um único filme pode tirar uma carreira do limbo.

Quentin Tarantino, por exemplo, é o mestre em fazer filmes-que-tiram-carreiras-do-limbo. Ele salvou John Travolta da miséria com Pulp Fiction, trouxe Pam Grier de volta com Jackie Brown e ressuscitou David Carradine como o badass e alvo de Uma Thurman em Kill Bill

Agora é Mickey Rourke quem está ganhando uma segunda chance em Hollywood – sem nenhum envolvimento do Tarantino, acredite. 

Se você está na casa dos vinte e poucos anos não deve conhecer muito do trabalho do cara (eu não conheço), já que ele fez certo sucesso lá na década de 80. Os únicos filmes que vi dele (como coadjuvante/quase figurante) foram Sin City, Chamas da Vingança e O Homem que Fazia Chover, a chatice jurídica do Coppola. 

Mas agora ele é o homem da vez. Protagonista do elogiado filme do diretor Darren Aronofsky, O Lutador (The Wrestler), que venceu o Leão de Ouro em Cannes ano passado, Rourke renasce das cinzas e já está escalado como um dos vilões de Homem de Ferro 2 (ao lado do também recém-renascido Robert Downey Jr.). 

Sinceramente, não entendo todo esse hype em torno do cara. O Lutador deve mesmo ser um puta filme (gosto de todos do Aronofsky), e o velhaco cheio de plástica tem grandes chances de levar o Oscar de Melhor Ator. Mas até aí, falarem que 2009 é o ano “Mickey Rourke”, não faz sentido algum. 

Teremos Watchmen em 2009, pelo amor de Deus! 

Enfim, acho que depois de Homem de Ferro 2, o cara vai sumir de novo. Assim como Pam Grier, David Carradine e outros mortos-vivos.