O Desinformante!

Estreias – 16 de outubro/09

Das principais estreias de hoje, recomendo Distrito 9, ficção científica com tom político e produção bacanuda, e O Desinformante!, bom filme de Steven Soderbergh com um ótimo Matt Damon (tem uma resenha completa aqui, ó).

A premissa de Te Amarei Para Sempre parece muito interessante também: o romance gira em torno de um homem (Eric Bana) que viaja pelo tempo de maneira inesperada, deixando sempre sua donzela (Rachel McAdams) chupando o dedo, ou coisa do tipo.

Novidades no Amor é a opção água-com-açúcar e previsível da semana, com Catherine Zeta-Jones.

Clique no pôster para ver o trailer do filme.

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Resenha: O Desinformante!

O Desinformante!_PosterO novo filme de Steven Soderbergh é bom, mas não tem a faísca, o brilho de produções similares como Prenda-me Se For Capaz e Queime Depois de Ler. O que não é um problema, mas o coloca na lista de filmes interessantes, porém esquecíveis.

Isso se deve ao fato de Soderbergh ser, naturalmente, um diretor mais contido do que Spielberg e os irmãos Coen. O cineasta, que consegue transitar com facilidade entre superproduções e filmes autorais de baixo orçamento, gosta de denúncias sociais (Traffic, Erin Brockovich), de política (Che), metalinguagem (Full Frontal) e de piadas sutis e inteligentes (11, 12 e 13 Homens).

E O Desinformante! (‘The Informant!’, 2009) é uma mistura careta de tudo isso. Na trama, Matt Damon é Mark Whitacre, o primeiro executivo de alto escalão a se tornar um informante nos Estados Unidos. Achando que, ao denunciar a própria empresa por criação de cartel, ele ganhará uma merecida promoção, Mark acaba se envolvendo mais do que devia com FBI.

Embora não tão fascinante quanto a história de Frank Abagnale Jr. (retratada no espetacular Prenda-me Se For Capaz), a vida de Mark Whitacre merecia mesmo um filme. E que bom que o ator escolhido para vivê-lo nas telas foi Matt Damon. O galã, que deve abocanhar indicações a prêmios por este filme, teve que engordar (com direito à pança de chopp), deixar crescer o bigode e usar peruca. Ou seja, prepare-se para ver um Jason Bourne aposentado e decadente.

E, certamente, Damon é a alma e o coração do filme (da mesma forma que Julia Roberts foi em Erin Brockovich, obra que colocou Soderbergh em evidência). Versátil e talentoso, Damon constrói um Mark Whitacre com medidas igualmente paradoxais de ingenuidade, insegurança, cinismo e autoconfiança. A personalidade cheia de nuances do personagem, enfim, é muito bem traduzida pelas sutilezas da atuação de Damon, como em uma cena em que consegue fingir estar com medo, quando de fato está com medo.

O Desinformante! arrisca a se tornar um puta filme sempre quando ouvimos em off um pensamento aleatório de Mark Whitacre: pérolas do roteiro, o personagem divaga sobre gravatas, sobre o quanto a aparência das mãos é importante para se chegar ao sucesso, ou ainda que todos nós temos uma frase bomba-relógio. Sem dúvida, os mais inteligentes e divertidos momentos do filme.

Famoso por também operar a câmera e fazer a direção de fotografia de seus filmes, Soderbergh desta vez optou pela ajuda de terceiros, que não fizeram feio: a produção é amarelada, quente; a maioria das cenas é composta por abajures, luzes com aspecto esfumaçado e de fontes externas, como janelas e portas abertas (deixando, em muitos momentos, os atores contra a luz). Muito interessante.

Gostei também da trilha sonora, que dá o tom do filme graças a uma pegada funky, marcada por metais e percussão. Muito similar à trilha de Os Incríveis, da Pixar, e aos filmes de espião da década de 70 (aura que o filme busca captar, mesmo acontecendo nos anos 90).

As pessoas vão gostar de O Desinformante!: uma produção correta, sem grandes inovações, mas com uma boa história conduzida por um excelente Matt Damon. Poderia ser um filmaço se investisse mais no humor negro, presente de forma sutil, porém eficiente, nos pensamentos de seu protagonista.

Nota: 7,8

O Desinformante! chega aos cinemas americanos nesta sexta-feira e estreia no Brasil em 16 de outubro.

[CORREÇÃO]

Descobri que cometi uma grave falha na resenha acima. Na realidade, Soderbergh é sim o responsável pela fotografia do filme. No entanto, ele faz isso assinando o trabalho com o pseudônimo de Peter Andrews, fato que desconhecia.

Preferi deixar o texto como estava e fazer a correção (pedindo desculpas) com esta atualização.

;-)