Owen Wilson

O Fantástico Sr. Anderson

Wes AndersonHá tempos que quero fazer um post sobre o diretor Wes Anderson, um dos meus favoritos. Agora, com seu próximo filme a caminho, O Fantástico Sr. Raposo, chegou a hora.

Descrobri Wes Anderson ainda garoto, quando me enfiei às cegas numa sala de cinema para ver Os Excêntricos Tenenbaums com a “galera”. Fiquei deslumbrado com o filme, meus amigos odiaram. Achei diferente de tudo o que tinha visto; uma obra que misturava comédia com drama em uma “embalagem” ao mesmo tempo que sensível, distante e fria.

Depois, à medida que um novo filme do diretor era lançado, mais tinha certeza que me tornara em um fã do cara. Dono de uma personalidade visual única, que carrega, em característicos planos, movimentos de câmera e enquadramentos, uma plasticidade que colabora em muito no entendimento das personagens em cena, W. Anderson também já foi acusado por muitos de fazer sempre o mesmo filme.

Eu discordo, apesar de saber que, sim, visual e narrativamente todos os filme se parecem, além de possuírem quase o mesmo elenco. Mas cada um traz sempre algo novo e muito, muito interessante.

Vamos a eles:

Bottle RocketBottle Rocket (1996). Dois anos depois de realizar um curta de mesmo nome, Wes estreia na tela grande ao lado de seus fiéis amigos e colaboradores, os irmãos Owen e Luke Wilson. Com o filme, o diretor começa a esboçar o que viria a ser seus traços mais autorais, principalmente no roteiro, que tem boas sacadas, mas não salva o filme de ser o mais fraco de sua filmografia.

Nota: 6,0

RushmoreTrês é Demais (1998). Nem o terrível título em português conseguiu trazer o segundo e prestigiado filme do diretor aos cinemas brasileiros. Lançado na época diretamente em VHS, Rushmore (seu título original) também ainda não encontrou sua distribuição em DVD no nosso país. Lamentável, já que o filme é brilhante em muitos sentidos: o roteiro é lotado de situações e personagens engraçadíssimas; o embate entre Jason Schwartzman e Bill Muray é impagável e a direção se mostra madura ao mesmo tempo que experimental. O Wes Anderson que conhecemos hoje nasceu aqui. Nota: 9,5

Os Excêntricos Tenenbaums Os Excêntricos Tenenbaums (2001). O barulho causado por Rushmore deve ter pesado nos ombros de Wes e o fez ir além, ao criar um filme maior em tudo: mais personagens, mais situações bizarras e mais conflitos familiares. No caso, maior foi sinônimo de melhor. Sim, a terceira produção do cineasta é também a minha favorita. Pô, um filme que tem Gene Hackman como um pai porra louca e inconsequente é, no mínimo, genial. O roteiro, riquíssimo por sinal, teve a colaboração de Owen Wilson, que também ajudou a escrever os dois anteriores. Nota: 10,0

A Vida Marinha Com Steve ZissouA Vida Marinha Com Steve Zissou (2004). O céu é mesmo o limite para W. Anderson, porque até o mar ele já explorou – e levou um brasileiro junto. Em uma produção ambiciosa, com grandes cenários feitos em estúdio e sequências em animação stop-motion, o cineasta escreveu, ao lado do amigo Noah Baumbach (que escreveu e dirigiu o espetacular A Lula e a Baleia), uma sátira sobre os documentários aquáticos de Jacques Cousteau. Aliás, este é o que considero o  filme com humor mais acessível do diretor. E a trilha do Seu Jorge cantando David Bowie é, sei lá, de outro mundo. Nota: 8,0

Viagem a DarjeelingViagem a Darjeeling (2007). Do mar para a Índia, Wes volta a usar a família, agora como ponto de partida para um delicioso road movie sobre trilhos. O destaque da produção não é o elenco e nem o roteiro (que teve colaboração de Roman Coppola e do ator Jason Schwartzman), mas sim da incrível fotografia que explora o máximo das cores e texturas dos figurinos e locações. Vale lembrar, claro, do  ótimo curta Hotel Chevalier, que antecipou as cópias do filme e trouxe uma Natalie Portman muito confortável. Ai ai.

Nota: 8,5

Por estas razões, Wes Anderson tornou-se um dos meus diretores favoritos. Um cineasta que, como poucos,  consegue preservar sua personalidade e tom autoral a cada novo projeto.

E o que dizer de O Fantástico Sr. Raposo, adaptação da obra de Roald Dahl (A Fantástica Fábrica de Chocolate), feito todo em stop-motion e com vozes de George Clooney, Meryl Streep, Bill Murray e toda a gangue de Anderson?

Confira o trailer e fique ansioso por conta própria.

O Fantástico Sr. Raposo estreia em 4 de dezembro no Brasil.

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DVD: Cassino, merda e jogo sujo

what_happens_in_vegasJogo de Amor em Las Vegas (2008). Ashton Kutcher só faz filme ruim. Tirando a série That 70´s Show, em que fez o descerebrado Kelso, nada em sua biografia salva (inclusive a bomba superestimada Efeito Borboleta). Talvez por isso estava com vontade zero de ver esta comédia, que, no fim das contas, acabou sendo um divertido “mata-tempo” para um final de domingo. Mais do mesmo.

Nota: 7,0

 

drillbit_taylorMeu Nome é Taylor – Drillbit Taylor (2008). Quando Owen Wilson tentou suicídio, deve ter sido depois desse filme. Voltado para a molecada que está entrando na adolescência, esta comédia é vergonhosa de tão ruim. Nem legal por ser ruim ela consegue ser. Primeira grande falha de Seth Rogen, que coassina o roteiro.

Nota: 1,5

 

 

marley_and_meMarley & Eu (2008). Uma coisa é fazer um filme bunitim com cachorro fofim. Outra, é apelar, jogar sujo, como faz o diretor David Frankel (O Diabo Veste Prada) nesta adaptação do best-seller homônimo. Ele abusa de golpes baixos para fazer o espectador chorar. Não uma, mas muitas vezes. Quando você já secou as lágrimas, pensando que acabou, a música triste volta e o diretor quase salta da tela para te dar um beliscão dizendo “chora mais, infeliz, chora”. Tirando isso, a produção é um bom passatempo, perfeito para as tardes de domingo e forte candidato a clássico da sessão da tarde. Nota: 7,0